Toni Kroos é o maior jogador do Real Madrid do século 21.
Dois dias atrás, foi anunciada a demissão do técnico Xabi Alonso do Real Madrid. Uma das principais razões apontadas pela mídia foi uma perda de confiança entre o elenco e a comissão técnica. A passagem dele não foi um desastre. Se olharmos estritamente para os números, estamos falando de uma taxa de vitórias acima de 70%. Segundo na liga, entre os oito melhores da atual Champions League e vivo na Copa del Rey. Mas quem assiste futebol além do Sofascore, como eu, sabe que a sensação em campo em relação ao time merengue era negativa. É mais ou menos a mesma história que vimos durante a temporada de Carlo Ancelotti. Um time desconectado, onde parece que o ataque e a defesa não estão se falando, sabe? Falta a cola que une os dois lados do campo.
E essa cola era Toni Kroos.
Toni Kroos é o maior jogador do Real Madrid do século 21.
Sim, eu sei, parece absurdo. Ronaldo “Fenômeno” brilhou no Bernabéu. Zinedine Zidane exibiu sua elegância com a camisa branca. Porra, um dos jogadores considerados o maior de todos os tempos fez história no Real Madrid: simplesmente Cristiano Ronaldo.
Mas nenhum deles foi tão vital para o funcionamento orgânico do time quanto o alemão. Cristiano era o martelo que batia e Zidane o pincel que pintava, mas Kroos era a mão firme segurando a ferramenta e decidindo a intensidade do movimento. Estamos confundindo grandeza com marketing e impacto com compilações de gols nas redes sociais. A grandeza de Kroos está justamente no que não aparece nos melhores momentos da TV, porque seu gênio estava na consistência invisível de alguém que completou noventa e quatro por cento de seus passes por uma década inteira.
Ele não precisava correr mais do que os outros porque a bola chegava onde ele queria antes mesmo do adversário pensar em pressionar. Olhe para o Real Madrid de hoje, sob a gestão recentemente encerrada de Alonso e o fim melancólico da passagem de Ancelotti. O Real Madrid tem velocistas olímpicos e finalizadores letais correndo sem rumo em um campo que parece vasto demais. O que vemos agora é um amontoado de talentos individuais gritando por ordem em uma língua que ninguém fala no vestiário.
Substituir os gols de Cristiano foi uma tarefa difícil, mas matematicamente possível com a soma de Benzema e Vinícius. Substituir a magia de Zidane foi difícil, mas Modric assumiu a responsabilidade com honra. Agora tente substituir o cérebro que ditava quando o time deveria acelerar ou frear e você verá que não há peça de reposição no mercado, nem mesmo no banco com um técnico promissor. O Real Madrid aprendeu da pior forma que ter os melhores solistas do mundo é inútil sem o maestro. É por isso que digo que ele é o maior deste século, pois sua ausência transformou um time que vencia tudo em um gigante rico e perdido, que corre muito e pensa pouco.
Toni Kroos não foi apenas um jogador do Real Madrid. Por dez anos, ele foi o próprio futebol do Real Madrid, e a prova definitiva disso é o silêncio tático ensurdecedor que ouvimos agora toda vez que a bola rola no Santiago Bernabéu.
